O que está por trás das melhores empresas para as mulheres trabalharem?

A projeção do Fórum Econômico Mundial deste ano relacionado à equidade de gênero no mercado de trabalho mostra que ainda será necessário mais de um século para que haja igualdade nas empresas para as mulheres.

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O Índice Global de Diferenças de Gênero foi introduzido pela primeira vez pelo Fórum Econômico Mundial em 2006 para medir o progresso em direção à paridade de gênero e comparar as disparidades de gênero dos países. Atualmente, o Brasil ocupa a 93º posição entre 156 países.

Contudo, diversas empresas estão investindo em programas para tentar diminuir essa desproporção, com o intuito de tornar o mercado de trabalho mais igualitário para todos os gêneros. Nesse sentido, a consultoria Great Place to Work divulgou neste ano a 5ª edição do ranking Mulher, uma pesquisa anual que ranqueia as melhores empresas para a mulher trabalhar.

A lista contou com 641 empresas inscritas, representando 741.665 funcionários. Para esta edição, 70 empresas foram premiadas, sendo 35 de porte grande e 35 de médio porte.

Ações das melhores empresas para a mulheres trabalharem

Na Accor, multinacional francesa do ramo hoteleiro e citada no ranking da Great Place to Work entre as 35 melhores empresas de grande porte para a mulher trabalhar, 53% das posições de liderança na América do Sul são ocupadas por mulheres. Além disso, 46% das posições gerenciais na empresa também são ocupadas por mulheres.

De acordo com Magda de Castro Kiehl, vice-presidente sênior de Jurídico, Riscos e Compliance da Accor América do Sul, desde 2013 a Accor conta com um programa para incentivar a diversidade em cargos de liderança, apoiando a equidade de gênero, o empoderamento feminino, a luta contra estereótipos, combate ao assédio sexual e à violência contra mulheres e meninas.

Já para apoiar as mães, a empresa conta com o Programa Futura Família, destinado às colaboradoras que trabalham nos escritórios. Além dos direitos previstos em lei, o programa engloba os seguintes benefícios:

  • Trinta dias complementares à licença-maternidade;
  • Auxílio-creche até a criança completar seis anos e onze meses;
  • Isenção de coparticipação nas consultas e exames do pré-natal;
  • Meia jornada de trabalho na primeira semana após a licença-maternidade (quatro horas/dia);
  • Entrada até duas horas antes, ou até duas horas depois do início do horário habitual de trabalho, para evitar horários de pico no trânsito ou no transporte público;
  • Ausência do trabalho uma vez por mês (limitada a sete vezes) durante a gestação, para consultas e/ou exames, e preparação do enxoval do bebê;
  • Livros educativos com informações úteis para a saúde da gestante e primeiros cuidados com o bebê;
  • Entrega em casa da Cesta Natalidade, com diversos itens para o bebê, logo após o nascimento;
  • Isenção de coparticipação no plano de saúde no primeiro ano de vida do bebê.

Magda de Castro Kiehl ressalta que, como uma das líderes do tema da Accor na América do Sul, está especialmente envolvida com projetos relativos à igualdade de gênero e incentivo à diversidade em cargos de liderança.

“Trabalhamos com o empoderamento feminino nos cargos de governança dos hotéis (Empoderada), treinamento financeiro para colaboradoras, mentoria para troca de experiência entre executivos e líderes em formação (Mentoring for Talents), Guia de Boas Práticas para mulheres hóspedes, entre outros”, detalha a vice-presidente da Accor América do Sul.

Além dos programas internos, a Accor apoia diversas ações externas em defesa das mulheres. Em julho de 2020, a empresa anunciou ser a nova signatária da Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra as Mulheres, iniciativa organizada pelo Instituto Avon, com chancela da ONU Mulheres e apoio técnico da Fundação Dom Cabral.

A Accor participa ao lado de outras grandes companhias, como Magazine Luiza, Google, Carrefour, IBM Brasil e Uber. Ao assinar a carta de adesão, a Accor se compromete a cumprir uma série de requisitos, incluindo os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs), iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global que visa estimular a implementação de planos de ações e políticas para empoderar as mulheres dentro da própria empresa, na cadeia de valores e nas comunidades.

Além de participar desta coalizão, a Accor é signatária do HeForShe, outra iniciativa da ONU Mulheres, e da Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos no Brasil do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).

Em julho de 2020, o Instituto Avon e a Accor, com o apoio do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), lançaram o Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim das Violências Contra as Mulheres e Meninas.

O objetivo é mitigar o impacto da epidemia silenciosa sobre a vida das mulheres neste momento emergencial da crise. O Fundo, que tem como meta captar até R$ 10 milhões em sua primeira fase, destinará recursos para até 30 organizações que atuam por meio de múltiplas assistências em atendimento às necessidades materiais, psicológicas e jurídicas.

Um dos objetivos da iniciativa é contribuir para a integridade física e emocional das mulheres e seus filhos. Neste sentido, um dos pilares do Fundo é a hospedagem das vítimas de violência nos hotéis da Accor por meio do Projeto Acolhe, que vem oferecendo cerca de 4 mil diárias em 295 hotéis localizados em 133 municípios, beneficiando milhares de mulheres.

“Apesar dos reconhecimentos e dos projetos que estão em andamento, sabemos que ainda temos muito trabalho pela frente para vencer essa batalha. Isso não só na Accor ou no setor hoteleiro, mas em todos os segmentos da economia. Por este motivo, seguimos avançando”, conclui Magda de Castro Kiehl.

Mulheres no topo

Outra grande empresa citada no ranking da GPTW das melhores empresas para a mulher trabalhar é o Grupo Boticário.

Emilia Ferraz, diretora de talentos conhecimento & cultura do Grupo Boticário, lembra que a primeira franquia da marca fora de Curitiba, estabelecida em Brasília no início dos anos 80, foi aberta por uma mulher, que continua com a parceria até hoje.

“Hoje a maioria das nossas lojas também são comandadas por mulheres. Na empresa, também temos aumentado cada vez mais as lideranças femininas com metas para que essa participação seja ainda maior nos próximos anos”, revela Emilia Ferraz.

No Grupo Boticário, 48% de mulheres ocupam cargos de liderança e a meta da empresa é chegar a 2025 com 50% de mulheres na alta liderança, o que compreende as posições de presidência, vice-presidência e diretoria.

“Nos cargos de gerência e supervisão, as mulheres sempre ocuparam a maioria dos cargos de gestão, tanto em nossas lojas, como nos nossos escritórios. Um movimento recente que tem chamado atenção também é que em áreas que historicamente eram mais ocupadas por homens, temos visto um crescimento importante da participação feminina. Na área de manutenção do grupo, por exemplo, nos últimos dois anos dobramos o número de mulheres na liderança”, salienta a executiva.

Contudo, Emilia Ferraz destaca que as ações em programas para mulheres vêm de muito mais tempo dentro da empresa, sendo elas:

  • 1999: Lançamento do Programa de Gestantes;
  • 2012: Equiparação dos benefícios para homens e mulheres;
  • 2014: Adesão ao Programa “Mulheres Trabalhadoras que Amamentam”, do Ministério da Saúde;
  • 2015: Assinatura dos WEPs (Women’s Empowerment Principles) da ONU;
  • 2015: Adesão ao Movimento Mulher 360;
  • 2016: Adesão ao Programa Pró-equidade de Gênero e Raça;
  • 2016: Lançamento do documentário “Precisamos falar com os homens?”, em parceria com a ONU Mulheres;
  • 2018: Selo Pró-equidade de Gênero;
  • 2018: Treinamento de Diversidade para todas as áreas e unidades de negócio.

Para o Grupo Boticário, a equidade de gênero é o único caminho possível para a construção de uma sociedade mais justa, com oportunidades para todas e todos. “Ficamos muito felizes em observar o avanço de outras empresas e ainda mais contentes com a oportunidade de dividir nossa experiência e influenciá-las positivamente nessa direção”, pontua Emilia Ferraz.

Confira o ranking das empresas premiadas em 2021 pela GPTW

Empresas de grande porte

  • Mercado livre
  • Dell technologies
  • Johnson & Johnson
  • Banco Santander (brasil) s.a.
  • Banco Bradesco s.a.
  • Baxter hospitalar ltda
  • Magazine Luiza
  • Accenture do Brasil
  • Cognizant Brasil
  • Itaú Unibanco
  • Accor
  • Algar tech
  • B3 s.a. – Brasil, Bolsa, Balcão
  • Banco Pan
  • Citi
  • Clear sale
  • Coats corrente
  • Deloitte
  • Dow
  • Escola Bahiana de medicina e saúde pública
  • Ey
  • Grupo Boticário
  • Iguatemi empresa de shopping centers
  • Lojas Renner s.a.
  • Makro
  • Roche farmacêutica
  • Senac administração regional – sede
  • Serasa Experian
  • Sesc RS
  • Sitel
  • Tokio marine seguradora
  • Vivo
  • Whirlpool
  • Wiz
  • Zurich Santander seguros e previdência

Empresas de médio porte

  • Bristol Myers Squibb
  • Stryker do Brasil
  • Resultados digitais
  • Renaissance São Paulo hotel
  • Mastercard
  • Levvo
  • Gna – gás natural açu
  • Zurich Santander seguros e previdência
  • Thoughtworks
  • Farmarcas
  • Agência i-cherry
  • Agência mirum
  • Andrade Maia Advogados
  • Bem promotora
  • Cadastra
  • Catho
  • Central Ailos
  • Delivery Center
  • Europ Assistance Brasil
  • Grupo Cataratas
  • Grupo Natureza
  • Kinghost
  • Livelo
  • Locaweb commerce
  • Méliuz
  • Mercado eletrônico
  • Paraná banco
  • Pasa
  • Passei direto
  • Salesforce
  • Senac
  • Takeda distribuidora
  • Ticket
  • Visagio
  • Zenvia

Fonte: Consumidor Moderno

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