Investimentos: 5 coisas que todos podem aprender com as mulheres

Independentemente do seu gênero, é possível aprender lições importantes sobre melhores investimentos. Um estereótipo que se tem de mulheres é que elas são mais gastadoras, avessas a risco e despreocupadas com o futuro, o que não é suportado por evidências de pesquisas acadêmicas.

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Mulheres pensam mais no longo prazo

Primeiro ponto a favor de investir melhor: pensar mais no longo prazo. Isso traz como consequência um melhor resultado para o seu planejamento financeiro. Em geral, elas movimentam menos a sua carteira, o que resulta em melhor retorno líquido de custos e taxas. Mulheres fazem muito menos operações de day trade, o que também tem impactos positivos no bolso, conforme alguns estudos já publicados apontam.

São menos movidas a investimentos “por impulso”

Este comportamento menos impaciente e mais focado no longo prazo evita, em muitos casos, os investimentos por impulso, seguindo uma “moda”, que podem ser tanto inadequados para o seu perfil como feitos na hora errada —geralmente, quando um investimento fica “pop”, já se foi a melhor hora de investir nele.

Mulheres são mais curiosas e atentas

Até por resquícios evolutivos, mulheres são mais curiosas e atentas, inclusive quando se fala sobre investimentos. Mulheres são menos confiantes que homens quando o assunto é dinheiro. Consequentemente, elas buscam mais informações na hora de decidir investir, o que pode evitar alguns dissabores no futuro.

Preocupam-se mais com aposentadoria

Pesquisas recentes publicadas por instituições financeiras têm mostrado dois pontos favoráveis às mulheres quando o assunto é aposentadoria. Primeiro, mulheres das novas gerações se preocupam mais com guardar dinheiro para o futuro que os homens e, segundo, quando comparadas com homens que ganham o mesmo nível de salário (para esta pesquisa especificamente, o valor era de US$ 90 mil no ano), investem percentualmente mais para a previdência.

Mulheres investem mais dinheiro

Em uma pesquisa nossa realizada pelo Centro de Estudos em Finanças (FGVcef), com o apoio da ABAAI (Associação Brasileira de Agentes Autônomos de Investimentos), Eleven Research e Gorila Investimentos, tivemos informações de 28.497 investidores e pudemos analisar algumas características de cada gênero na hora de investir. Um resultado importante desta pesquisa foi que para todas as faixas de renda declarada no cadastro nas instituições financeiras, o valor médio investido pelas mulheres era maior que o dos homens para a mesma faixa.

Obstáculos que complicam a trajetória feminina

Nem tudo são flores. Infelizmente, essas evidências não são suficientes para garantir uma situação financeira melhor para as mulheres, pois nas vantagens listadas acima estamos já olhando dados de mulheres que têm condições de investir.

Lembremos que apenas 26% do total de investidoras que estão na Bolsa (cadastros na B3) são mulheres, número muito similar ao da nossa pesquisa (7.527 do total de 28.497 investidores). E vários aspectos podem explicar essa discrepância. Pensando de maneira bastante simples, o quanto uma pessoa investirá depende do quanto ela ganha menos o quanto ela gasta.

Diferença de salários e o teto de vidro

Muitos são os estudos que mostram a diferença nos salários entre homens e mulheres ao redor do mundo. Neste caso, o ponto principal não é a isonomia salarial, princípio que garante que pessoas que ocupem o mesmo cargo ganhem o mesmo salário. A questão muito mais grave e complexa é o que chamamos de teto de vidro, ou seja, há uma barreira não tão invisível nas oportunidades de progressão de carreira.

Números no Brasil apontam para uma quantidade menor que 11% de mulheres em assentos de conselhos, e números ainda menores para mulheres em cargos de CEO ou presidente. E esta discrepância acontece também em outros cargos de chefia e liderança, o que leva a um triste resultado que explica o fato de as mulheres investirem menos: na média, elas ganham menos!

Maior expectativa de vida, mas com menos tempo de contribuição

Mulheres vivem mais que os homens (de acordo com o IBGE, aproximadamente sete anos a mais), e isso demanda um maior planejamento para a aposentadoria. Dada a maior expectativa de vida, o racional seria que elas conseguissem juntar mais dinheiro até a data em que se aposentam.

Mas aí temos alguns tristes fatos: além de ganharem menos, em média, mulheres contribuem menos tempo para a previdência —social ou privada. Isso ocorre por dois motivos: mulheres afastam-se mais do trabalho voluntaria e involuntariamente.

Voluntariamente, para exercer o papel de cuidadora, seja de crianças ou de parentes idosos. E isso impactará no seu processo de acumulação de recursos e também de contribuição para a previdência. E, involuntariamente, quando vemos as estatísticas que mostram que quase metade das mulheres são demitidas em até um ano após o retorno da licença-maternidade.

Além disso, durante a pandemia, mulheres foram as mais afetadas com demissões, conforme dados do Caged. Menos tempo na força de trabalho terá um impacto direto no quanto mulheres têm de recursos financeiros disponíveis para investir e para viver na aposentadoria.

Resumindo: ser mulher traz uma série de obstáculos para uma situação financeira melhor, mas aprender algumas lições de como elas investem pode fazer a vida de qualquer investidor ou investidora melhor:

  • invista pensando no longo prazo, e não se deixe mover por modismos
  • planeje a sua aposentadoria de forma que não se preocupe com o fato de viver muito
  • sempre separe uma parcela do que ganha para investir
  • busque informação, especialmente de fontes qualificadas antes de investir

Fonte: UOL

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