Feminejo: Marília Mendonça colocou mulheres como protagonistas na música brasileira

Com letras sobre desilusões amorosas, superação de relacionamentos abusivos, autoestima feminina e apoio entre mulheres, Marília Mendonça trouxe o termo Feminejo para o cenário desse estilo musical ainda tão masculino. Apesar de ser uma das principais representantes dessa tendência, Marília sucedeu várias vozes femininas que começaram a ocupar o sertanejo brasileiro no início da década de 80, como Roberta Miranda, Irmãs Barbosa e Irmãs Galvão.

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Marília Mendonça, a “Rainha da Sofrência”

A “Rainha da Sofrência”, como ficou conhecida, compôs e cantou várias músicas que inspiraram diversas mulheres do sertanejo a tomarem os palcos e enfrentarem o machismo ainda muito ligado a esse meio, como é o caso de Biahh Cavalcante, que com 4 anos de carreira, conta que as canções de Mendonça a ajudaram a seguir seu sonho como cantora e compositora sertaneja.

Cantora se inspirou em Marília Mendonça e destaca que assédio ainda é comum no Sertanejo / Biahh Cavalcante/ Divulgação

“Já encarei muito machismo e assédio sim, na estrada, principalmente por ser uma mulher cantando. Temos uma imagem sujeita a muitas coisas, de estar ali cantando no palco, às vezes com uma roupa mais chamativa, e sofremos muito com isso”, expõe.

“As mulheres vem tomando conta do mercado sertanejo há um bom tempo. Buscamos justiça através das nossas músicas”

As composições cantadas pelas mulheres do sertanejo exprimem comportamentos que antes eram permitidos somente para homens, como beber, ir ao bar e ter liberdade sexual. Além disso, a temática que envolve os direitos das mulheres sempre esteve presente no Feminejo. A dupla Simone e Simaria lançou a música “Ele bate nela”, para denunciar a violência doméstica.

Na canção, apresentam inclusive o receio que muitas mulheres têm ao terminarem um relacionamento abusivo e violento: “Eu tô sem saída e se eu for embora, ele vai acabar com a minha vida”.

Ter referências femininas neste estilo musical é um recado para uma sociedade que ainda oprime e violenta tantas mulheres, como afirma Cristiele, da dupla Mayele e Cristiele.

Cantoras afirmam que Feminejo empodera mulheres / Mayele e Cristiele/ Divulgação

“A sociedade evolui quando mulheres ocupam estes cenários artísticos, porque é muito mais que se tornar uma simples cantora, é mostrar que a mulher pode ser o que ela quiser e onde ela quiser. É o empoderamento feminino que alcança outras mulheres”.

Com uma carreira de 14 anos, Marília Mendonça deixa um legado artístico que encorajou muitas mulheres a tomarem os postos da música sertaneja, como descreve Mayele.

“Eu me sinto muito feliz em fazer parte do mundo da música sertaneja. São letras que falam de independência, realizações de sonhos e crescimento. Isso é um marco não só na música sertaneja, mas para a cultura brasileira.”

Fonte: Brasil de Fato

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