1 em cada 4 empresas não tem mulheres negras entre seus funcionários

As pessoas pretas ou pardas são as que mais sofrem no Brasil com a falta de oportunidades nas empresas do mercado de trabalho e a má distribuição de renda. Isso não é novidade para ninguém que tenha um mínimo de noção sobre as desigualdades sociais do país, mas quantificar essa desproporção ainda pode trazer algumas surpresas negativas.

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Pesquisa: 1 em cada 4 empresas não tem mulheres negras entre seus funcionários

Entre 21.435 empresas em todo o Brasil, 25,1% delas não possuem nenhuma mulher negra em todo o seu quadro de funcionários, conforme aponta o levantamento “Protagonismo das mulheres nas empresas” realizado pela consultoria em marketing digital Triwi.

Quase metade desses negócios (45%) conta com apenas 10% do quadro de funcionários composto por mulheres negras. A inclusão de mulheres com deficiência física é outro gargalo nas contratações, já que a maioria das empresas pesquisadas (68%) não tem funcionárias PCD.

De forma geral, as mulheres estão em desvantagem no mercado de trabalho, mesmo sendo maioria no país (51,8%), e a pesquisa mostra que esse quadro está piorando ao longo dos anos. Em 2020, o levantamento mostrou que 27% das mulheres ocupavam mais de 50% dos cargos nas empresas. Em 2022 esse número caiu para 18%. Em 5% dos empreendimentos pesquisados não havia nenhuma mulher contratada.

Outro dado preocupante é o fato de as mulheres ocuparem mais cargos operacionais do que aqueles que envolvam liderança. A pesquisa aponta que 35% das empresas contam com até 10% dos cargos de liderança ocupados por mulheres e 30% não possuem nenhuma mulher na gestão. As mais jovens também têm mais chances, já que 72% das mulheres contratadas tinham até 40 anos.

“Mesmo com o avanço de mulheres alcançando cargos executivos e de liderança nas empresas, nos últimos anos percebemos uma queda no número de mulheres que são mães ocupando esses cargos nas empresas”, afirma Sabrina Benatti, gerente de marketing da Triwi.

Em 78% das empresas pesquisadas, até 30% do quadro de funcionários eram mães. “O que percebemos hoje é que a sociedade no geral não abraça a mulher quando a mesma se torna mãe. Talvez por uma questão cultural e até ultrapassada, as mães são olhadas de uma maneira muito cruel, sendo incapacitada ou sem habilidade para ser mãe e conciliar o trabalho, ocupando cargos e mesas de conselho”, observa Benatti.

Com menos mulheres em cargos altos, elas ganham salário inferior ao dos homens em 64% das empresas pesquisadas. Apenas em 8% das companhias as mulheres ganham mais que os homens e em 28% o salário é igual, independente do gênero.

Em 15% das empresas havia um canal exclusivo de denúncias relativas a assédio, patamar acima dos 9% relatados na pesquisa de 2020. O número ainda é baixo, mas mostra uma evolução das companhias neste sentido.

A pesquisa 21.435 empresas em todo o Brasil entre 22 de fevereiro e 22 de março de 2022, sendo 52,4% das empresas delas do Sudeste, 18,3% do Sul, 5,6% do Centro Oeste, 8% do Norte e 15,7% do Nordeste. Foram 42,2% do setor de serviço, 33,9% foram indústrias, 10,4% comércio, 5,3% do setor de agronegócio e 8,2% de tecnologia.

Fonte: Valor Investe

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