Eco Feminino: a potência das mulheres para tratar do aquecimento global

Foram 14 dias de Conferência das Partes em Glasgow, na Escócia, evento que ocorre há 26 anos, onde praticamente todos os países no planeta se reúnem para debater a questão climática. Além das COPs, a Conferência de Estocolmo em 1972 – que fará 50 anos em 2022 – e a Rio-92 compõem momentos históricos que deram tração à agenda climática global.

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Eco Feminino (Foto: divulgação)
Andrea Alvares, da Natura (Foto: Divulgação)

É indiscutível, para quem esteve em Glasgow e para quem a acompanhou pela cobertura massiva do evento, ver como esses temas, que até pouco tempo eram considerados marginais nas pautas dos governos e da sociedade, hoje ocupam um lugar central nas mesmas.

Alguns elementos levam a isso, a meu ver. A covid-19, que evidenciou o impacto de nosso modo de vida sobre o planeta visto pelas imagens da NASA, ou mesmo o retorno de animais às zonas urbanas quando o mundo “parou”.

Aquecimento global

A evidência científica é há muito tempo irrefutável, e suas projeções sobre os efeitos do aquecimento global agora são sentidas de forma contundente nos crescentes e cada vez mais intensos desastres ambientais. Tudo isso, turbinado pela voz de uma juventude que cobra ações que remedeiem as escolhas equivocadas do passado e que provocaram essa crise climática, nos fez entender que não há mais como adiar as decisões que podem assegurar um futuro onde a vida humana sobreviva na Terra.

Todos os sistemas estruturantes terão que mudar para chegarmos a uma emissão de carbono líquida zero, preservando a temperatura do planeta abaixo dos 1,5 °C de aquecimento. E, quando digo todos, quero dizer todos. Nosso sistema alimentar, energético, de transporte, de infraestrutura, de armazenamento e processamento de informação… tudo isso, e mais, precisará se adaptar.

“Não há mais como adiar as decisões que podem assegurar um futuro onde a vida humana sobreviva na Terra” Andrea Alvares

Os negócios terão que se reinventar, nós teremos que modificar nossos hábitos de consumo, o sistema financeiro e o mercado terão que mudar a maneira como precificam, remuneram e investem direcionando recursos desproporcionais àqueles ativos que promovem melhor e menor impacto. E os governos terão que desenhar as políticas públicas viabilizadoras dessas mudanças a um ritmo acelerado, assegurando que ninguém será abandonado no processo. Tarefa hercúlea? Sim. Mas teremos que empreendê-la.

Acredito que é possível. Por um lado, porque vejo espaço para a criatividade e a inovação. Mas também e, principalmente, por algo que vi em Glasgow mais importante do que qualquer meta nacionalmente determinada, ou do que a própria regulamentação do mercado de carbono, ou dos acordos de saída de combustíveis fósseis, ou os compromissos de zerar o desmatamento e proteger as florestas e os povos que as preservam. Eu vi e ouvi, em alto e bom som, algo muito mais poderoso: o eco feminino.

De ativistas extraordinárias como a ugandense Vanessa Nakate e Greta Thunberg, à secretária executiva da UNFCCC, Patricia Espinosa, à ex-presidente da Irlanda e ‘Elder’ Mary Robinson, à primeira-ministra da Escócia, às lideranças indígenas brasileiras formidáveis como Txai Suruí, Samela Sateré-Mawé e Juma Xipaia – para mencionar algumas – e até mesmo a rainha Elizabeth, todas foram contundentes sobre a necessidade de agir.

E o fizeram de maneira diferente da narrativa que o mundo vem usando há tanto tempo e que simplesmente não serve mais. Colocaram outras prioridades à mesa. Trouxeram a cosmovisão necessária para o enfrentamento desse desafio que é o maior que a humanidade já viveu até aqui. Os saberes e habilidades do feminino são mais capazes de produzir as soluções sistêmicas de que precisamos. Escutemos o eco feminino – a julgar pelo que vi em Glasgow, ele veio para ficar.

Eco Feminino (Foto: Bruna Sanches)
Eco Feminino (Foto: Bruna Sanches)

Essa matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Conheça o projeto aqui.

Fonte: Marie Claire

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