Coronavírus e o cuidado possível para mulheres sobrecarregadas

Há o mundo ideal e o mundo real. No mundo ideal, nós mulheres somos autossuficientes e, por não precisarmos de ninguém, seguimos isoladas, cuidando de tudo em casa.

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O mundo ideal e o mundo real das mulheres

No mundo ideal, nós mulheres, preparamos as refeições, lavamos a louça, limpamos a casa, lavamos a roupa, organizamos os armários, damos banho nos filhos, cuidamos do cachorro e cumprimos jornada de 8 horas por dia em frente ao computador.

No mundo real, nós mulheres, estamos doentes. Doentes, mesmo. Não é forma de dizer. Desde meados de 2020, estudos e análises já apontavam para o aumento da carga da já difícil jornada feminina, escancarando o impacto destes tempos na saúde mental e física de mulheres. O aumento da violência doméstica e do feminicídio foi observado em diferentes contextos.

Muitas de nós, ensinadas desde a mais tenra idade a cuidar dos outros, seguimos sem abrir mão de nenhum detalhe nesse ritual de banhos, roupas infinitas a lavar, sapatos na porta, litros e mais litros de álcool em gel.

Mas, afinal, depois de quase um ano, o que aprendemos sobre o vírus e seu comportamento que pode amenizar não só nossos riscos de infecção, mas nossa rotina igualmente adoecedora de mulheres, mães, trabalhadoras e donas de casa?

Sabemos hoje que a maior parte das transmissões acontece pelo contato direto com as secreções e gotículas vindas do aparelho respiratório de uma pessoa contaminada.

Parece informação repetida, mas não é. Aquele cuidado com superfícies, compras, embalagens, roupas, banhos devem seguir, mas ele não é nem de longe a fonte da maioria das infecções. A não ser que levemos a mão contaminada das superfícies até os olhos, nariz ou boca.

Isso significa que uma boa máscara e o máximo distanciamento, com janelas abertas e casa arejada pode nos permitir, por exemplo, trazer alguém para nos ajudar com a limpeza da casa.

Parece música para os ouvidos de uma mulher esgotada, não é mesmo? Pois é. Cada uma de nós precisou descobrir meios para não sucumbir a esta rotina.

Se você precisa da ajuda de alguém para a limpeza da casa, isso pode ser possível com riscos muito reduzidos. Vamos de dicas?

  • Prefira contratar uma profissional que more perto de você. Isso evita contatos em transporte público. Outra possibilidade é pagar um carro de aplicativo para buscá-la. Isso também reduz os riscos. Lembrando que reduzir não é eliminar. Estamos vivendo no mundo real, lembra. No mundo possível;
  • Quando a profissional chegar à sua casa, ela deve lavar as mãos com cuidado e permanecer de máscara o dia todo;
  • Todos os moradores da casa também devem se manter de máscara durante o contato com ela para protegê-la de contaminação. O segredo é que todos se considerem contaminados e ajam como tal;
  • Se possível, no dia de faxina, deixe as crianças com alguém da “sua bolha” que esteja igualmente cuidadoso. A casa dos avós costuma ser o refúgio possível. Eles devem estar atentos e mantendo distanciamento lá também.
  • Alterne os ambientes. Enquanto a limpeza é feita em um cômodo, fique em outro;
  • Alterne horários ou locais de refeição. Atenção para o compartilhamento de colheres de servir. Uma única pessoa servindo os pratos pode ser uma alternativa;
  • Esteja sempre a mais de 2 metros da profissional que te ajuda. No mesmo ambiente, não retire a máscara;
  • Siga com todos os outros cuidados já internalizados.

Por fim, proponho que pense se a rotina do seu companheiro está tão pesada e caótica como a sua e se ele está tão engajado quanto você para fazer as coisas darem certo. Se sim, tome um banho com ele pra relaxar. Se não, eis aí outra questão para resolver.

Se cuide.

Via: UOL

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